Na noite do último sábado, o palco do Theatro Municipal de São Paulo — espaço historicamente marcado pela exclusão da população negra — foi tomado pela força e pela ancestralidade do povo preto. O Movimento Negro Unificado (MNU) celebrou 47 anos de existência com uma programação potente, reunindo arte, política e memória no centro simbólico da capital paulista.
Celebração do Movimento Negro Unificado (MNU)
O evento foi um marco não só pela data, mas pela ocupação de um espaço que por décadas representou a elitização da cultura e a exclusão da negritude.
O MNU nasceu como resposta ao assassinato de jovens negros pela polícia e ao racismo estrutural que marca a sociedade brasileira, fundado em 7 de julho de 1978.
Desde então, o MNU vem articulando lutas por justiça racial, contra a violência policial, por igualdade de acesso à educação, saúde, cultura e participação política. O ato deste ano celebrou essa trajetória, mas também reafirmou compromissos urgentes com a juventude preta, com as periferias e com a reconstrução do país sob uma ótica antirracista.
A celebração contou com slam e a batalha do quilombar, discursos históricos e intervenções dos mais velhos que deram o tom do evento. Houve momentos de música, poesia, e homenagens a militantes que construíram o legado do movimento ao longo das últimas décadas. A presença de figuras históricas do MNU dialogou com a potência das novas gerações, mostrando que a luta continua viva — e intergeracional.
Entre os destaques da noite, estiveram falas sobre a importância da ocupação de espaços simbólicos, a denúncia do racismo institucional, a defesa da cultura negra e o papel da organização popular como força de transformação social.
O I livro Griot do MNU - memórias de vida e de luta diária da idosidade negra organizado por Caio Gabriel, Maicon Nunes e Rosana Rufino teve destaque no evento e esteve disponível para venda. A capa foi desenhada pela artista: Anna Zeferino. Dentre seus autores e autoras se encontram:
O momento simbolizou a vida e a resistência do movimento negro unificado que se fez presente em lutas importantes para a população negra afrobrasileira, como as cotas na universidade, a política de saúde para a população negra e a formação de um pensamento negro brasileiro, formando em diferentes áreas de conhecimento escritores/as e pesquisadores/as negros/as. A presença dos fundadores e fundadoras foi especial e marcante.








