A noite desta quinta-feira (23) terminou em tragédia e indignação no bairro Parque Marajoara, em Botucatu (SP). Sivanildo dos Santos Damascena, um homem negro de 32 anos, foi morto com um tiro nas costas disparado por um agente da Guarda Civil Municipal (GCM). O caso, registrado inicialmente como homicídio decorrente de intervenção policial, ganhou forte repercussão após moradores gravarem vídeos no local contestando a versão oficial dos guardas de que teria havido um confronto.
Nas imagens, que foram enviadas a FMC Comunica, o clima é de extrema tensão. Um morador que testemunhou a cena confronta diretamente a equipe da GCM, acusando o agente de ter atirado enquanto Sivanildo fugia desarmado. No registro, o morador grava a placa da viatura, o rosto dos agentes e afirma de forma incisiva: "O parceiro desceu correndo, você atirou nele". A comunidade, revoltada, aponta o caso como mais uma vida ceifada pela violência estatal.
A narrativa apresentada pelos guardas no boletim de ocorrência diverge do relato das testemunhas. Segundo a versão oficial, a equipe tentou abordar Sivanildo nas proximidades de um terreno baldio. A GCM alega que ele fugiu a pé, sendo perseguido por um dos agentes, enquanto o outro acompanhava a ação de dentro da viatura.
O guarda que realizou a perseguição a pé declarou que Sivanildo resistiu e tentou pegar sua arma durante uma luta corporal, momento em que ocorreu o disparo que o atingiu nas costas. A corporação também afirmou ter encontrado, próximo ao local onde a vítima caiu, uma sacola plástica contendo 46 porções de cocaína e 27 pedras de crack.
Sivanildo chegou a ser socorrido pelo Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e encaminhado ao Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina de Botucatu (HC-FMB), mas não resistiu à gravidade do ferimento.
A Polícia Civil abriu um inquérito para apurar as circunstâncias da morte. A perícia técnica foi acionada e coletou materiais fundamentais para o esclarecimento do caso, incluindo exames residuográficos para identificar vestígios de pólvora nas mãos da vítima e do guarda, além da análise detalhada do moletom que Sivanildo usava — laudo que será determinante para confirmar a distância, a trajetória do tiro nas costas e se de fato houve luta corporal.
O guarda municipal que efetuou o disparo teve sua arma apreendida e foi afastado do patrulhamento nas ruas.
O caso do Parque Marajoara evidencia a urgência de debater os protocolos de abordagem e a letalidade das forças de segurança frente à população negra e periférica.








