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São Paulo

ENTRE A FARIA LIMA E BAURU: TARCÍSIO FOGE DO DIÁLOGO E AMPLIA O CONFRONTO COM ESTUDANTES E TRABALHADORES

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ENTRE A FARIA LIMA E BAURU: TARCÍSIO FOGE DO DIÁLOGO E AMPLIA O CONFRONTO COM ESTUDANTES E TRABALHADORES

Em meio a greves na USP, Unesp e Unicamp e a protestos massivos na capital, governador evita manifestantes em Bauru enquanto aprofunda cortes na educação e sustenta uma política de segurança com alta recorde de letalidade policial

Em meio a greves na USP, Unesp e Unicamp e a protestos massivos na capital, governador evita manifestantes em Bauru enquanto aprofunda cortes na educação e sustenta uma política de segurança com alta recorde de letalidade policial
Bauru — Na quarta-feira, 20 de maio, o governador de São Paulo escolheu o interior para cumprir agenda enquanto a capital vivia um novo auge da mobilização estudantil. Na zona Oeste paulistana, Faria Lima e Largo da Batata foram fechados por um ato que reuniu estudantes, professores e entidades como APEOESP, UNE e UEE-SP contra o que classificam como precarização da educação pública, cortes de verbas e desmonte da permanência estudantil. Em Bauru, cidade marcada pelo avanço recente da extrema direita nas urnas e no poder local, onde a prefeita Suéllen Rosim é aliada do governador, Tarcísio foi recebido por um protesto que uniu movimento estudantil e trabalhista — mas não apareceu para dialogar.
A cena sintetiza uma estratégia política que se tornou marca da gestão: evitar o enfrentamento público com as pautas da educação ao mesmo tempo em que endurece no terreno da segurança e do orçamento. Desde o fim de 2023, quando a Alesp aprovou a PEC 09/2023 e reduziu de 30% para 25% a vinculação mínima de receitas para a educação, a insatisfação nas universidades estaduais cresceu e transbordou para a greve conjunta de USP, Unesp e Unicamp. Na prática, a mudança consolida um corte projetado de R$ 11 bilhões ao ano a partir de 2025, afetando escolas estaduais, institutos de pesquisa e a espinha dorsal da permanência estudantil: bandejões, moradias e bolsas. Para reitores, docentes e representantes discentes, trata-se do maior recuo orçamentário desde a Constituição Estadual de 1989.
O conflito não se limita ao orçamento. Nos campi, a resposta do governo às ocupações e piquetes foi policial. Em maio, a Polícia Militar invadiu a Reitoria da USP de madrugada para desocupar estudantes em greve, uma operação que se somou a outras ações de repressão em diferentes unidades e acirrou o clima de hostilidade com a comunidade acadêmica. Entidades acusam o Palácio dos Bandeirantes de optar pelo cassetete onde caberia negociação, e de transformar a crise da assistência estudantil em disputa de força.
Se a educação virou o epicentro da resistência, a segurança pública é o flanco mais duro — e mais letal — da gestão. A letalidade policial explodiu no estado com aumentos reportados que superam 60% em 2024 e ultrapassam 90% no recorte da gestão Tarcísio, mesmo quando os índices nacionais de violência registraram o menor patamar em uma década. No primeiro trimestre de 2026, 142 pessoas foram mortas em ações policiais em São Paulo, número maior que o do mesmo período do ano anterior. Estudos recentes também escancaram a impunidade: apenas 2% dos agentes envolvidos em mortes foram condenados, e 85% dos casos entre 2015 e 2020 acabaram arquivados. A política de segurança, sob o comando do secretário Guilherme Derrite, é denunciada por organizações de direitos humanos como propelente de chacinas nas periferias.
Para os manifestantes, as duas frentes formam um mesmo projeto. “O governador Tarcísio segue uma agenda fascista que compra armas de Israel, treina os policiais militares com táticas israelenses de guerra para matar e reprimir os negros e periféricos, a realidade é que ele representa e é favorecido pela elite contra a população”, disse o militante e comunicador Igor Fernandes, presente no ato.
A leitura que ganha corpo nas ruas é interpretativa e política já que ao reduzir a fatia constitucional da educação e endurecer o aparato policial, o governo reorganiza prioridades e símbolos. Em Bauru, o silêncio do governador diante do ato reforçou a percepção de que a gestão fala com planilhas e batalhões, não com assembleias. A greve nas três estaduais, por sua vez, cristaliza uma convergência rara: docentes, técnicos e estudantes em torno de uma pauta que vai do reajuste e das carreiras à permanência e ao financiamento estável.
No curto prazo, o desfecho depende de movimentos que o Palácio tem adiado como recompor a mesa de negociação com a comunidade acadêmica e apresentar um plano transparente de assistência estudantil que reconheça o impacto da PEC nos caixas das universidades. Sem isso, a tendência é de prolongamento da greve e de novos embates e, se nada mudar na segurança, de mais enterros na periferia. Entre a capital barricada e o interior mobilizado, a opção do governo por evitar o diálogo talvez seja menos uma tática de agenda e mais uma estratégia de poder.
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