O número do balanço é de 64 mortos, porém “Megaoperação” que aconteceu na terça, (28/10) tem outros 55 mortos que não saíram nos dados oficiais e moradores relatam ainda número ainda maior
Operação na Penha e Alemão é a mais letal da história do Rio
A ação batizada de "Megaoperação contra o Comando Vermelho" que aconteceu ontem nos Complexos da Penha e do Alemão, Zona Norte do Rio de Janeiro, (28/10) deixou um verdadeiro cenário de guerra, sendo a mais letal da história do estado até hoje. Famílias ficaram sitiadas, crianças deixaram de ir pra escola e o terror se espalhou para outras áreas da Zona Norte e da Baixada Fluminense, com ônibus incendiados, bloqueios de vias e o fechamento de universidades e estradas, incluindo o acesso ao Aeroporto Internacional do Galeão.
O principal responsável é o governador Cláudio Castro (PL), que tem a marca do sangue em suas mãos. As comunidades da Penha e do Alemão amanheceram nesta quarta (29) com filas de corpos nas praças. Os moradores contam já cerca de 200 mortes, mais que o dobro do que constem os balanços oficiais. Tudo isso em nome da guerra ao "tráfico" e aos "narcoterroristas", segundo o próprio governador 4ss4ssino.
"Essa operação teve início com o cumprimento de mandados judiciais e uma investigação de mais de um ano e planejamento feito há mais de 60 dias", afirmou Castro em coletiva de imprensa. O massacre foi orquestrado.
De acordo com publicação da Mídia Ninja, moradores do Complexo da Penha, levaram pelo menos 55 corpos para a Praça São Lucas, na madrugada pós operação. Segundo o secretário da Polícia Militar, coronel Marcelo de Menezes Nogueira, os corpos levados pelos moradores não constam nesse balanço oficial. Caso sejam confirmadas as novas mortes, o total pode ultrapassar 100 vítimas.
De acordo com relatos, os corpos estavam na área de mata da Vacaria, na Serra da Misericórdia, região onde ocorreram os confrontos entre forças de segurança e suspeitos. Moradores afirmam que ainda há cadáveres no alto do morro.
O ativista Raull Santiago, que participou da retirada dos corpos, relatou a dimensão da tragédia: “Em 36 anos de favela, passando por várias operações e chacinas, eu nunca vi nada parecido. É algo brutal e violento num nível desconhecido”, disse ao portal.
Mais de 2.500 agentes das polícias militar e civil, subiram o morro com ordem para matar, destes, 4 acabaram também mortos. O estado sai ileso.
O massacre repercutiu no Brasil e no mundo, saindo em publicações como o "The New York Times" chamado de "episódio mais letal e sangrento na história do estado no combate ao crime organizado”. O jornal ainda observou que o discurso de Castro reflete uma aproximação retórica com o governo Trump, que voltou a usar o termo “narcoterrorismo” na recente caça ideológica ao tráfico na América Latina. O texto cita ainda Flávio Bolsonaro, que dias antes havia elogiado operações militares norte-americanas no Caribe e sugerido cooperação dos EUA no combate a facções brasileiras.
O massacre foi orquestrado e intencional, escancarando a lógica colonial e racista do estado que tenta se justificar. É necropolítica escrachada, a mensagem que fica mais uma vez é que a vida de preto, pobre e favelado não vale nada.








