Em palestra na Universidade Javeriana, na Colômbia, pesquisadora e presidente do Instituto Formando Mentes Coletivas analisa a disputa de sentidos entre mídia, memória e identidades coletivas
A disputa pelas narrativas históricas e culturais na América Latina esteve no centro da palestra da doutoranda em Comunicação pela UNESP e presidente do Instituto Formando Mentes Coletivas (IFMC), Kahena Bizzotto. Com o título “Quem conta a história? Cultura popular, mídia e narrativas de resistência na América Latina”, a apresentação fez parte do projeto Intercambio Cultural Insurgente: Conexiones Brasil & Colombia, realizado na Universidade Javeriana de Bogotá, na Colômbia.
Em sua fala, Kahena destacou como a cultura popular se afirma como prática política de resistência frente ao racismo e ao colonialismo que ainda marcam profundamente os países latino-americanos. “Das festas populares às ruas e poesias, o povo reescreve diariamente sua história”, afirmou.
Dialogando com pensadores como Lélia Gonzalez, Zuleica Romay, Clóvis Moura e Jesús Martín-Barbero, a pesquisadora analisou o papel da comunicação e da midiatização na disputa de sentidos que atravessa a região. Para ela, a visibilidade da cultura popular nos meios de comunicação é também uma batalha pela memória e pela valorização das identidades coletivas.
A palestra integrou uma programação de conferências e oficinas de cocriação que aproximaram coletivos culturais do Brasil e da Colômbia. No evento, Kahena representou não apenas a academia, mas também o Instituto Formando Mentes Coletivas, organização que atua em Bauru (SP) com projetos de educação, arte e cultura voltados para a transformação social.
“Refletir sobre quem conta a história é fundamental para desmontar estruturas de poder que invisibilizam o povo latino-americano. A cultura é, ao mesmo tempo, resistência e futuro”, concluiu Kahena.








