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Caso Adrian: “Não foi confronto, foi execução” ONG PCT e família denunciam versão da PM sobre morte de jovem em Bauru e pedem abertura de inquérito

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Caso Adrian: “Não foi confronto, foi execução” ONG PCT e família denunciam versão da PM sobre morte de jovem em Bauru e pedem abertura de inquérito

Familiares e testemunhas do bairro Santa Edwirges, em Bauru, contestam a versão oficial da Polícia Militar e da imprensa sobre a morte do jovem de 20 anos, ocorrida na noite do dia 23 de outubro.

Familiares e testemunhas do bairro Santa Edwirges, em Bauru, contestam a versão oficial da Polícia Militar e da imprensa sobre a morte do jovem de 20 anos, ocorrida na noite do dia 23 de outubro.
A morte do jovem Adrian, de 20 anos, durante uma ocorrência policial no Residencial Santa Edwiges, em Bauru (SP), na noite de quinta-feira, dia 23, está no centro de uma denúncia de violação de direitos humanos e uma suspeita de execução. O caso, inicialmente registrado pela Polícia Civil como legítima defesa após suposta troca de tiros, é contestado pela família, populares e pela ONG PCT – Proteção Cidadão Territorial dos Direitos Humanos, que exigem uma investigação imparcial e aprofundada.
A denúncia formal, em formato de ofício e abaixo-assinado, foi encaminhada pela ONG PCT a diversas autoridades, incluindo a Ouvidoria das Polícias, a OAB Bauru-SP, a Comissão de Direitos Humanos, a Corregedoria da Polícia Militar do Estado de São Paulo e o Ministério Público.
De acordo com o Boletim de Ocorrência Policial (PP7180-1/2025), a Polícia Militar foi acionada via 190 por meio de uma denúncia anônima que relatava uma reunião suspeita no local com presença de homens armados.
Ao chegarem, os policiais observaram um grupo de cerca de cinco ou seis rapazes e cinco mulheres. A versão policial indica que, ao perceberem a presença da viatura, alguns indivíduos tentaram fugir pulando muros e telhados de casas vizinhas.
O ponto central da versão oficial é o momento da perseguição. Um policial (SD Paschoal) subiu em um telhado e visualizou Adrian, o qual teria se levantado e "efetuado um disparo na direção do policial, não atingindo-o". O SD Paschoal revidou, atingindo Adrian no tórax, o que resultou em seu óbito no local. Posteriormente, a arma utilizada por Adrian, um revólver calibre .32, foi encontrada "Próximo ao corpo", sendo retirada de próximo do corpo pelo PM Paschoal e repassada ao SD PM Gimenes. A Polícia Civil registrou o caso e concluiu preliminarmente que o policial agiu em legítima defesa.
A ONG PCT e os familiares da vítima trazem um relato que contradiz a versão de troca de tiros, levantando a suspeita de que a ação policial culminou em uma execução. Familiares e populares afirmaram à ONG que "Adrian" era um jovem tranquilo e "não possuía armas". O abaixo-assinado reforça que testemunhos de familiares, vizinhos e pessoas próximas apontam contradições relevantes, incluindo a informação de que Adrian "não possuía armas e não representava ameaça iminente no momento dos fatos". A alegação de que houve troca de tiros é questionável, dada a informação de que Adrian não possuía armas, apesar de o BO relatar o encontro de um revólver calibre .32 próximo ao corpo.
O Boletim de Ocorrência detalha outros elementos da ação policial que demandam apuração. Durante a perseguição, outro adolescente ("Kawe") foi encontrado escondido no mesmo telhado, atrás de uma caixa d'água. Com o adolescente Kawe, foram apreendidos um celular e porções de substância esverdeada e resinosa (aparentemente maconha/haxixe). No interior do imóvel onde ocorria o churrasco, foram encontradas cinco motocicletas (placas ESQ0A49, SWF4E78, CTL5J65, SWG9G60 e FFW9D70) e um carro (placa GBE7F30). O carro e duas motos (BMW ESQ0A49 e CG 160 START SWF4E78) estavam sem chave, e a chave de uma das motocicletas (CG vermelha, placa SWG9G60) foi localizada no bolso de Adrian. Também foram encontrados dois celulares (um iPhone e um Samsung) no imóvel e um cartão bancário no nome de Nathiele no interior de uma das motocicletas, sendo todos apreendidos.
Diante das contradições e da gravidade do resultado de morte, a ONG PCT, por meio do Presidente Geral Thiago Augusto Prisco, exige que as instituições públicas garantam uma investigação "imparcial, transparente e independente". A denúncia solicita a apuração rigorosa de diversos pontos. Primeiramente, é necessário apurar as circunstâncias que levaram à morte do jovem e a conduta dos agentes públicos envolvidos. Em seguida, a investigação deve focar na eventual violação de protocolos legais de abordagem e uso da força e na análise das provas materiais e periciais, como imagens, laudos e depoimentos. A ONG solicita ainda a requisição e análise das imagens de câmeras de segurança e a realização e divulgação dos laudos periciais completos. Por fim, é essencial a oitiva de todas as testemunhas e policiais envolvidos. A ONG fundamenta seu pedido na Constituição Federal, em seu Artigo 144, que estabelece a segurança pública como dever do Estado, e na legislação brasileira, incluindo o Código Penal, a Lei nº 13.869/2019 (Lei de Abuso de Autoridade) e o Código de Processo Penal, que preveem a rigorosa investigação de toda morte decorrente de intervenção policial. O objetivo, segundo o documento, não é julgar a conduta da vítima ou a ação policial, mas "buscar a verdade dos fatos e garantir justiça" à família.
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