A administração municipal de Bauru tornou-se o centro de uma polêmica recente após a decisão da prefeita de autorizar um processo licitatório para a compra de mais de 16 toneladas de mix de castanhas e frutas secas.
O valor total estimado para a contratação é de R$ 1.599.870,00, montante que inclui também a aquisição de 170 mil barras de banana e quase 268 mil barras de castanhas.
O volume expressivo e o alto valor de mercado desses produtos, que não integram a lista de itens essenciais da gestão pública, levantaram um intenso debate sobre os critérios de prioridade adotados pela chefe do Executivo na aplicação dos recursos do orçamento municipal.
O principal ponto de crítica reside na aparente desproporcionalidade da medida tomada pela prefeita, especialmente considerando que apenas o lote de mix de castanhas tem um custo previsto de R$ 1.058.560,00. Em um cenário onde setores fundamentais como a saúde e a infraestrutura urbana enfrentam gargalos históricos, a escolha deliberada por adquirir itens de valor elevado — com o quilo do mix estimado em R$ 64,00 — é interpretada como um erro estratégico de planejamento.
A maior parte dessa demanda vem da Secretaria da Educação, que solicitou 15 mil quilos do mix de castanhas, totalizando quase um milhão de reais apenas para esta pasta. A reação da opinião pública reflete uma preocupação sobre como a gestão prioriza investimentos, sugerindo uma desconexão entre as determinações do gabinete e as necessidades imediatas da população.
Até o momento, os critérios técnicos que embasaram a decisão da prefeita por esses produtos específicos, em um edital de Registro de Preços que teve abertura da sessão pública marcada para este dia 19 de janeiro de 2026, não foram totalmente esclarecidos. A ausência de transparência sobre a real necessidade de tamanha escala de compra para secretarias como a de Assistência Social (SEBES) e o Departamento de Água e Esgoto (DAE) alimenta o debate sobre a eficiência da gestão.
Sem uma justificativa clara de como esses produtos serão distribuídos para evitar o desperdício de itens com logística complexa, o gasto permanece sob forte suspeita de falta de responsabilidade orçamentária.
Diante da repercussão, a iniciativa da prefeita já se tornou objeto de fiscalização, uma vez que o processo n.º 56.034/2025 movimenta cifras milionárias para itens considerados acessórios. Em qualquer administração, decisões que fogem ao padrão de necessidade básica exigem prestação de contas rigorosa. A sociedade aguarda respostas objetivas sobre os motivos que levaram a prefeita a converter o dinheiro do contribuinte em toneladas de um produto que não figura entre as urgências reais da cidade.








