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Bauru

Rodízio de água atinge 80 mil moradores em Bauru em meio a disputa sobre futuro do DAE

3 min de leitura
Rodízio de água atinge 80 mil moradores em Bauru em meio a disputa sobre futuro do DAE

DAE Medida começou em 28 de agosto de 2025 e reacende debate sobre sucateamento e privatização da autarquia municipal

DAE Medida começou em 28 de agosto de 2025 e reacende debate sobre sucateamento e privatização da autarquia municipal
Crise Hídrica em Bauru: Rodízio Afeta 80 Mil e Debate Sobre Privatização Aumenta
por Andrezza Marques
O abastecimento de água em Bauru entrou em esquema de rodízio na última quinta-feira, 28 de agosto de 2025, afetando cerca de 80 mil moradores atendidos pela Estação de Tratamento de Água (ETA) do Rio Batalha. O sistema adotado é de 24 horas com fornecimento, seguidas de 24 horas sem água, e a cidade foi dividida em dois grandes grupos:
A medida foi justificada pelo Departamento de Água e Esgoto (DAE) após a lagoa de captação do Rio Batalha registrar apenas 2,11 metros de vazão, quando o nível ideal é de 3,20 metros. Essa situação não é inédita: em 2024, a cidade enfrentou um racionamento severo de seis meses, com relatos de moradores que chegaram a ficar mais de nove dias sem água. A recorrência da crise reacende questionamentos sobre a gestão do DAE e sobre o futuro do saneamento em Bauru.
Para além da estiagem, especialistas apontam que a raiz do problema está no histórico descaso com a infraestrutura. Quase metade da água tratada na cidade — 47,7% — se perde em vazamentos antes de chegar às torneiras. O número está acima da média nacional de 38,45% e revela a urgência de investimentos na rede, cuja modernização foi prevista em um Plano Diretor de Água elaborado em 2013, ao custo de R$ 1,3 milhão, mas engavetado por anos.
Nesse cenário, ganha força a discussão sobre a privatização do DAE. Servidores e sindicatos acusam a gestão municipal de adotar uma política de “sucateamento para vender”, deixando o serviço deteriorado para justificar a entrega à iniciativa privada. A criação de um Núcleo de Estudos e Concessões pela prefeitura é vista como indício de que a concessão da autarquia está em pauta. O primeiro passo, segundo o Sindicato dos Servidores Municipais (Sinserm), já teria sido dado com o processo de concessão da Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) Vargem Limpa.
A preocupação central é que a privatização privilegie apenas as partes lucrativas, como leitura de hidrômetros e cobrança de contas, deixando ao DAE público a responsabilidade de manter a rede obsoleta e deficitária. Para os críticos, isso abriria caminho para demissões, encarecimento das tarifas e desigualdade no acesso ao serviço.
Enquanto a disputa política segue, a população lida diariamente com a incerteza do abastecimento. Filas para caminhões-pipa e caixas d’água improvisadas tornaram-se rotina em bairros periféricos. Moradores relatam frustração e descrença no poder público, cenário em que a promessa de uma solução privada pode soar como saída imediata. O futuro da água em Bauru, entretanto, dependerá de qual visão prevalecerá: a da água como direito fundamental ou a da água como mercadoria.
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