Após reunião na Secretaria Municipal de Cultura, coletivos e artistas formalizam exigências ao poder público e denunciam problemas graves na edição anterior do evento
Representantes dos movimentos da cultura hip-hop de Bauru se reuniram no dia 12 de janeiro de 2026, na Secretaria Municipal de Cultura, para discutir a organização e a valorização da Semana Municipal do Hip-Hop.
O encontro reuniu coletivos, artistas, produtores culturais e agentes do setor, em resposta aos problemas enfrentados na edição de 2025, considerada pela classe artística como desorganizada e desrespeitosa com a política cultural construída historicamente na cidade.
A Semana Municipal do Hip-Hop de Bauru é reconhecida como uma política pública consolidada, fruto da mobilização da cultura negra e periférica local, e vai além de um evento artístico pontual. Ela se configura como espaço de valorização da juventude, da diversidade cultural e da produção artística independente. No entanto, no ano anterior, a iniciativa foi marcada por falhas estruturais, ausência de planejamento e dificuldades na execução dos editais.
Entre os principais problemas apontados pelos movimentos estão a falta de materiais básicos para artistas aprovados em edital, a existência de vagas ociosas por ausência de convocação de suplentes e o cancelamento de dois dos três principais shows previstos na programação, sob justificativa de limitação orçamentária. As situações geraram prejuízos diretos aos artistas e frustração no público, além de enfraquecer a política cultural do município.
Diante desse cenário, os coletivos do hip-hop de Bauru se organizaram e formalizaram suas reivindicações por meio de uma carta pública, direcionada à Secretaria Municipal de Cultura e a outras pastas do governo municipal. O documento reforça a necessidade de que a edição de 2026 represente um avanço em relação ao ano anterior, com mais diálogo, transparência e compromisso institucional.
Entre as exigências apresentadas estão a abertura antecipada da Comissão Organizadora da Semana do Hip-Hop, a divulgação clara do orçamento destinado ao evento, o cumprimento integral dos editais e a participação efetiva de outras secretarias, como Educação e Esporte, reconhecendo o hip-hop como uma política pública transversal.
A mobilização também se apoia no reconhecimento oficial do hip-hop como cultura nacional, conforme o Decreto Federal 11.784 de 2023, e como patrimônio cultural imaterial do estado de São Paulo, conforme a Lei 498 de 2021. Para os movimentos e artistas, esse reconhecimento precisa se refletir em práticas concretas no âmbito municipal.
A seguir, publicamos a carta dos Movimentos da Cultura Hip-Hop de Bauru na íntegra:
Carta dos Movimentos da Cultura Hip-Hop de Bauru sobre a organização da Semana Municipal do Hip-Hop de 2026
Bauru, 12 de janeiro de 2026.
À Secretaria Municipal de Cultura de Bauru Aos e às Secretárias Municipais
Os coletivos, artistas, produtores culturais e movimentos sociais ligados à cultura hip-hop da cidade de Bauru vêm, por meio desta carta, manifestar sua preocupação e exigir compromisso do poder público municipal com a organização da Semana Municipal do Hip-Hop de 2026, entendendo e encarando a cultura hip-hop com o respeito que merece.
A cultura hip-hop é reconhecida como cultura nacional pelo Decreto Federal 11.784, de 20 de novembro de 2023, e como patrimônio cultural imaterial do estado de São Paulo pela Lei 498 de 2021, decretada em 2024.
A Semana do Hip-Hop é uma política cultural histórica, construída ao longo de anos pela luta dos fazedores e fazedoras de cultura da cidade. Ela representa não apenas um evento artístico, mas um espaço de valorização da juventude, da cultura periférica, da diversidade e da cidadania. No entanto, a edição de 2025 foi marcada por graves problemas de organização e gestão, que não podem se repetir.
Entre os principais pontos, destacamos a falta de materiais básicos para artistas aprovados em edital, comprometendo apresentações e atividades previamente planejadas; a existência de editais com vacância, causada pela ausência de organização para convocação de suplentes; e o cancelamento de dois dos três principais shows da programação, sob a justificativa de insuficiência orçamentária, o que gerou frustração no público, prejuízos aos artistas e desgaste da política cultural.
Diante desse cenário, os coletivos de hip-hop de Bauru afirmam que 2026 precisa, obrigatoriamente, compensar as falhas ocorridas em 2025, tanto em estrutura quanto em planejamento, diálogo e investimento.
Para isso, reivindicamos de forma objetiva a abertura imediata da Comissão Organizadora da Semana do Hip-Hop de 2026, com antecedência suficiente para garantir planejamento responsável; transparência total em relação ao orçamento destinado ao evento; compromisso institucional para que a edição de 2026 represente um avanço; e a participação efetiva de outras secretarias municipais, especialmente Educação e Esporte.
Reforçamos que esta carta não se trata apenas de uma crítica, mas de um chamado à responsabilidade e ao diálogo. Os movimentos de hip-hop de Bauru seguem dispostos a construir coletivamente, desde que haja seriedade, respeito e compromisso com a cultura produzida nas periferias da cidade.
Sem planejamento, transparência e participação, não há política cultural sólida. A Semana do Hip-Hop é uma conquista coletiva e deve ser tratada como tal.
Atenciosamente, Movimentos sociais, coletivos, artistas e produtores da cultura hip-hop de Bauru.
Assinam essa carta: 1- Formando Mentes Coletivas 2- Casa Amora Cultural 3- Frente Feminina do Hip Hop de Bauru 4- Frente Nacional de Mulheres do Hip Hop 5- Coletivo Art.163 6- Batalha dos visão 7- Batalha do Rasi 8- Batalha da Tribo 9- Coletivo Ação Libertária (CAL) 10- Batalha do santa 11- Fresh Soqx 12- Fumacê 13- Slam Clandestina 14- Vozes das Periferias de Bauru 15- PDKDLA'S 16- Batalha da Leste 17- Batalha da BSP






