Vogue Night x PikuMandela reforça força da cena local e reuniu comunidade LGBTQIAPN+ no último sábado, dia 23 de agosto
Bauru consolida cena Ballroom com a segunda edição da Vogue Night x PikuMandela
por Andrezza Marques e Ana Moreira
Bauru recebeu no dia 23 de agosto a segunda Ballroom de sua história, com a realização da Vogue Night x PikuMandela, evento que celebrou a cultura preta, latina e LGBTQIAPN+ em uma noite de performances, batalhas e muita expressão corporal. Realizada em parceria entre a BallRoom Bauru e a barbearia Pikumanas, a festa reafirmou o espaço da cidade dentro desse movimento de resistência cultural. “Faltam espaços seguros para a comunidade LGBT+ poder celebrar, e por isso nós realizamos esses eventos de forma independente, sem exclusão”, declarou Bruna, fundadora da Pikumanas, em seu Instagram.
A cultura ballroom nasceu como um movimento de acolhimento e liberdade, dando espaço para que pessoas pudessem expressar quem são verdadeiramente. Para quem participa, estar em um ball significa pertencimento e comunidade. “É sobre celebrar identidade e arte, sentir a troca de energia e ver todo mundo brilhando junto”, define Ice Luana, uma das organizadoras e performers do evento. Já para Noah Duarte, a experiência vai além: “Participar de uma Ball, pra mim, é representatividade. É estar em um espaço que vai muito além da competição, algo que nasceu da necessidade de pessoas negras e trans que não tinham lugar em nenhum ambiente social, e criaram esse refúgio de acolhimento e celebração.”
Nas competições, diferentes categorias valorizaram múltiplas expressões. Ice Luana destacou categorias como Face (beleza facial, olhar e confiança), Runway (passarela e presença), Vogue Femme (dança com poses, giros e quedas criadas pelas Femme Queens), além da Realness, que testa a capacidade de performar papéis sociais ou de gênero de forma convincente. Noah Duarte complementa explicando que os balls costumam se dividir entre categorias estéticas — como Face, Body, Best Hair, Bizarre — e performáticas, como Old Way, New Way, Vogue Femme, Runway, Realness, Hand Performance, Sex Siren e Commentator vs. Commentator. “Cada uma delas tem seus próprios critérios, mas todas carregam a mesma essência: mostrar excelência e autenticidade.”
As premiações também tiveram papel central na noite. Segundo Noah, “os títulos são fundamentais, primeiro porque são uma forma concreta de reconhecimento na cena. Além disso, os Cash Prizes remuneram de forma justa tanto quem performa quanto quem organiza o evento.” Sobre os critérios de avaliação, ele detalha: “Cada categoria tem sua régua própria e é preciso estudar e dominar cada especificidade. No Vogue Performance, por exemplo, se avaliam os cinco elementos: mãos, catwalk, duckwalk, floor e spins & dips. Já em Face, o que importa é a pele, os olhos, os dentes, a simetria, mas também a forma como você vende o rosto para o público. O júri é composto por pessoas da cena com relevância e conhecimento, que observam o domínio técnico e também a autenticidade.”
O impacto da ballroom em Bauru já se mostra transformador. Ice Luana destacou a ampliação da participação local, enquanto Noah reforça a importância da visibilidade: “Finalmente a Ballroom no interior do estado vem ganhando espaço, e está inspirando música, moda e dança na cidade. Isso mostra para o mundo a riqueza do que foi criado por pessoas negras e trans e dá a elas a centralidade que merecem. Aqui em Bauru, essa visibilidade já se reflete em ações concretas, como oficinas de Voguing na USP e eventos organizados por coletivos locais. Isso abre portas para novas gerações, fortalece a cena e cria oportunidades de renda e expressão artística.”
A Vogue Night reforçou a potência da ballroom na cidade e abriu caminho para novas edições, consolidando um espaço de celebração, respeito e resistência.








